The Venn Diagram of Author Sensibility – head (cerebral but dry), mouth (master of form but vacant of meaning), heart (empathic but overly sentimental). Related: Circles of Influence
Bohemian Rhapsody.
humor: ressentimento de classe.
aliás, ainda sobre facebook: gente que bota o nome *inteiro* lá, ao invés de um nome + um sobrenome, já perturba o baby. demônio nos detalhe.
Quem acha um absurdo a Bethânia recebendo 50 mil por mês por um trabalho desconhece qualquer tipo de informação sobre economia ou é contra a forma como a economia se configura hoje. Não sabe fazer um simples exercício de pensar um pouco: “S…e eu fosse a Maria Bethânia o que eu cobraria?” A resposta deve considerar todos os contextos atuais da economia mundial. Eu sugiriria como um destes contextos apenas a comparação direta com o salário de um parlamentar, completamente pago por nós. O fato que parece que poucos realmente sabem é que a valorização injusta é parte do nosso sistema e isto é uma falha e sempre foi. O problema é este “sempre foi”. Este “sempre foi” desconhecido pela massa é mais um atestado da ignorância e da falta de educação dominantes. Isto é a própria manutenção do sistema. Daqui a um mês isso será esquecido e nada vai mudar, porque povo ignorante não faz revolução alguma, não muda nada, e pior: tenta impedir os que ainda tentam fazer alguma coisa de verdade. Quem imagina que pode determinar o que um artista cobra por sua arte, o que é justo ou não é justo nesta valorização, não tem boas intenções ou está sem informação mais detalhada sobre o assunto. A veja e a folha levantaram a questão de forma errada. Oras, não há novidade alguma nisso também. Está tudo a mesma merda como sempre esteve. Este espanto todo com este assunto é superficial, é um nada, como sempre. Não há novidade e desse jeito, nem haverá.
E depois, mais ainda:
Eu também acho um salário alto Racquell… Mas isso é relativo. Salário no capitalismo é assim: relativo ao poder e aos outros salários. Calculado com base no salário do outro, não com base em certa justiça social. Também acho que quem deve…ria pagar seria apenas quem gosta dela, mas a democracia é assim: a gente escolhe os governantes e eles escolhem para onde vão os investimentos. Sou a favor da democracia. Talvez o ideal seria votar tudo, cada atitude, mas isso não é possível no real. O que tentei colocar é que escolher a Bethânia (ou os baianos ou qualquer grupo isolado) como “culpada” da injustiça do sistema é simplista. A folha e a veja foram os incitantes deste episódio. E o povo mordeu a isca como sempre. Veículos de comunicação de péssima qualidade que ainda são muito dominantes, como vemos. Alto poder de influência na população, porque ainda são os mais vendidos no país e vice-versa. Isso de injustiças acontece há muito tempo, desde sempre. Bethânia pode até estar errada, e se estiver, antes dela muita gente esteve, muita gente está (ganhando até muito mais que ela) e ninguém falou nada, ninguém viu nada, ninguém fez nada. Agora, estranhamente, estes veículos escolheram ela para linchar e o povo nem se questiona deste automatismo de fazer coro sem conhecer o assunto, sem ouvir opiniões diferentes e principalmente sem investigar os fatos. Uma salgadeira ganha 500, um servidor ganha 5.000, Bethânia ganha 50.000, Ivete Sangalo ganha 500.000 e Ronaldinho ganha 5 milhões… O sistema é assim: injusto. O que a folha e a veja queriam eu não sei (vender mais com certeza, mas deve ter mais coisa), mas o resultado infeliz foi jogar boa parte da população contra uma das maiores artistas que o Brasil tem. Eles sim não merecem respeito algum.
A lista de regras do portal de blogs Apostos (chama-se “Blogma” :( ):
1. Fica vedada qualquer menção a Foucault, salvo esta.
2. Pagará multa o blogueiro que publicar qualquer um destes termos: “pensata”, “de plantão”, “diálogo fecundo” e “num misto de”, ainda que a título de brincadeira.
3. Como regra, arte plástica contemporânea só é arte no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Arte contemporânea passa a ser contradição em termos.
4. Somos todos contra a última opinião em voga sobre o Paulo Francis. Elogio ou crítica.
5. “Morno se vomita”: aqui é quente ou frio. Frio, de preferência.
6. A qualidade do que se escreve no portal se mede pela capacidade de esculhambar com gentileza.
7. Nenhum nacionalismo, nenhum regionalismo; aqui se fala português por força do acaso. Mas também se falará outro idioma quando necessário e, principalmente, quando desnecessário.
8. A 1ª pessoa do singular serve à farsa; ninguém aqui, antes de completar 60 anos, falará sobre os livros que influenciaram sua formação. Respeitem a memória de Joaquim Nabuco, filisteus.
9. Argumente, seja pela direita ou pela esquerda, mas não lamba a sarjeta. Pense bem antes de soar fascista ou stalinista.
10. O leitor é o cliente, e o cliente costuma ter razão. Como isso tem limites, qualquer ironia será ironia mesmo, sem colher-de-chá.
11. Limpeza (que não é necessariamente clareza), densidade (que não é necessariamente concisão), elegância (que não é necessariamente sobriedade), eis a nossa linguagem.
:(
Sempre que acontecer um tsunami, lamentar o declínio da palavra “maremoto”.
A estranha e repetida convicção de que “de” no nome tem alguma coisa a ver com nobreza. (Aliás, a própria convicção de “descender de nobreza”, em um país que nunca teve nobreza hereditária.)
Dizer “comidinhas”, no sentido que a Veja São Paulo dá para a palavra.
Black Swan.
Debater que vinho tomar, animadamente, em uma creperia.
Ter menos de 30 anos e ir a um concerto vestindo outra coisa que não jeans e camiseta.
Viajar ao exterior e, ao voltar, criar um álbum de facebook com fotos sorridentes, de óculos escuros, diante de monumentos.
